Formatura de Ciência da Computação 2003.2 - UFCG

 

 

Fotos:

 

Colação de Grau

Reunião Evangélica

Aula da Saudade

Baile

 

 

Discurso:

 

Pais, mães. Amigos, familiares. Funcionários. Mestres.

 

É com grande honra e satisfação que os recebemos aqui.

 

 

“E agora? O fim está próximo. Já vejo a cortina final.” Paul Anka, artista do grande sucesso denominado “My way”, não criou esta obra-prima ao acaso. Ele sabia que a vida é feita de cortinas finais. Estamos diante de uma delas. Meninos e meninas que há pouco adentraram as portas do saber, deparam-se hoje com a inevitável forma de homens e mulheres. Fizemos do nosso jeito. Muitas vezes o sorriso deparou-se com o choro. Valores éticos e morais foram colocados à prova. Alguns se mantiveram fortes e intocáveis. Outros se permitiram ser tocados pela luz do saber. Estes foram subitamente elevados de simples seres humanos para seres humanos simples. Sim. Pois a passagem pela universidade não nos garante tornarmos seres humanos melhores. Apenas nos garante que teremos mais conhecimento em uma área do saber humano. Não! Tenho certeza que nesses quatro anos, apesar de incertezas e desafios aparentemente intransponíveis, fomos simples o suficiente para confessarmos que “só sabemos que nada sabemos”. A consciência que somos apenas uma das peças de uma engrenagem gigantesca fez-nos perceber que essa passagem precisava ser aproveitada ao máximo.E não importa se alguns de nós chegou aqui e não tirou a nota máxima em Cálculo 2, Física Moderna, Atal. Não importa porque podemos recuperar esse tempo. Mas o que importa mesmo é ter aprendido a lição da vida! Ah, essa sim, é a lição que deve ser aprendida. Tirar nota baixa não nos é permitido. Se a ela nos dedicarmos veremos que seremos retribuídos com um "eu te amo" de nossas namoradas e namorados, um caloroso "parabéns" de nossas mães, um "você foi promovido" dos nossos chefes, ou mesmo "eu te amo papai", ou "mamãe", quando tivermos nossos filhos e nos dedicarmos a eles.

Dedicação, palavra fácil de pronunciar, mas difícil de cumprir. Para se ter dedicação é preciso sentir afeto, amor a quem se quer dedicar. É preciso sentir que vale a pena lutar. E quem mais lutou para que estivéssemos aqui que nossos pais? Olhe para sua mãe nesse momento. Quem mais que ela pediu para que você não dormisse tarde para não adoecer? Quem mais que ela acordou cedo da manhã para te fazer um café forte para encarar a vida? Quem mais que ela sentiu saudades durante aqueles longos quatro anos até que você retornasse à sua casa? Quem mais que ela se ofuscou para que você brilhasse? Essa, tenha certeza, é a mulher de sua vida. Olhe para seu pai. Quem mais que ele lutou duramente para que você tivesse chegado onde está hoje? Quem mais que ele, nos momentos difíceis, de quase desistência, disseram “filho, estarei ao teu lado. Prossiga”. Esse, tenha certeza, é o homem de sua vida. Aliás, somos muito bem aventurados, pois podemos dizer que estamos cercados de verdadeiros homens e mulheres. Mestres que nos tiveram como filhos e nos amamentaram com o leite do saber durante esses anos. Mestres imprescindíveis para a realização de tudo isto. Mestres da vida. Fomos servidos regiamente dia após dia. Funcionários nos acolheram e nos proporcionaram uma estadia agradável. Nossa única obrigação era com o saber. Esse, temos certeza que estamos alcançando dia após dia. Temos plena consciência que o que a sociedade nos proporcionou devemos retribuir com ética no exercício da nossa profissão. Fazemos parte de uma elite que tem acesso ao ler, ao saber, ao ensino público de qualidade. E precisamos lutar para que os desprovidos de recursos sejam providos do saber.

 

E hoje, aqui, neste momento, o sentimento da vitória. Um sentimento de vitória em conjunto. Não uma vitória para gritarmos aos quatro cantos. Não uma vitória para marcarmos o nosso nome em placas, pois o criador dos céus e da terra, o único que devemos glória e graça, não deixou sequer uma assinatura em qualquer de suas belas criaturas. Mas, incrivelmente, O desfrutamos em tudo que vemos nessa terra.

 

Bem, mas o que dizer de cada um de meus amigos e colegas hoje aqui, formandos.

 

O quer dizer de cada um?

 

Alberto, amizade em tudo.

Alessandra, professora do sorriso.

Aliandro, homem determinado.

André, busca incansável do saber.

Danilo, trabalhador destemido.

Emanuela, charme sistemático.

Fábio, movimentos precisos.

Filipe, fenomenal.

Flávio, sábio doutor.

Fúlvio, jogador da vida.

Hugo, inteligência admirável.

Jarbas, colega indispensável.

Mário, felicidade contagiante.

Michael, simplicidade comovente.

Michelle, voz sem igual.

Mônica, o impossível torna-se possível.

Rodrigo, celeste presença.

Verlaynne, política notável.

Viviane, carinho fraternal.

 

 

É amigos. Tudo começa com um “S” de Saber, e tudo termina com um “S” de saudade!

 

Saudade!

Senhores e senhoras de sistemas.

Sentimos saudade.

 

Sadio sentimento de serenidade.

Ser, sem sentir, só sobra sonhar.

Ser, sem sonhar, seca-se sozinho.

Sozinhos, sentimos sabor salgado.

Sinergicamente, singular sinfonia.

 

Sempre surtirmos sentimentos.

Sentimentos secretos, sentimentos singulares.

Sadia sorte do saber.

Sábios, subiram a serra.

Soaram-se sons de sabiá.

Secretamente, sentiram-se sangrando.

Sangue do senhor sagrado.

Seus sonos? Surrupiados.

Seus semblantes? Saqueados.

Seus sonhos? Sepultados.

Seus semelhantes? Seguiram em silêncio.

Sejamos sinceros. Soluços subtraíram-nos o sorrir.

Sentimo-nos sufocados.

Surpresa!

Sobressaltamos séries.

Saciamos a sede do saber.

Satisfizemos sabiamente senhores sérios.

Sem saber, sem sentir, suprimos sonhos secretos.

Se sincronamente seguirmos, singular sensação sentiremos.

Se segregados, selemos a sagrada seara.

Seguiremos sorrindo. Satisfazendo sonhos. Simples seres seremos, sentiremos só saudades.

Ah, saudade!

 

 

Gustavo Wagner Diniz Mendes, 22/05/2004